O povo quer é confete!

17.7.08
Não é curioso notar como as pessoas precisam ser paparicadas? Algumas têm compulsão por isso, de verdade, do tipo que só faz amizade com os lambe-bumbum de plantão! Não é?
Manjam os(as) sogros(as) que só se dão bem com o cônjuge de seus rebentos se eles os tratarem a pão de ló? Ou aquele professor que dá nota baixa a rodo, menos para os alunos que participam durante as aulas e/ou ficam conversando com o amado mestre depois que a aula acaba... ou o chefe que não enxerga méritos em funcionários, a menos que eles sejam seus capachinhos.

Um evento acontece na empresa onde você trabalha, e milhares de pessoas têm que fazer uma apresentação qualquer. Tem os que precisam explicar ou ensinar algo aos demais, tem os que se empolgam e falam mais que a boca até sem precisar, e tem aqueles que acreditam que qualquer minuto pode ser a deixa para os 15 de fama que ele pensa ter direito na vida. Não importa qual é o perfil do falador. O discurso pode ser curtíssimo, um mero pedido de silêncio geral: grande parte dos presentes aplaudirão, numa quase coação para os demais fazerem o mesmo. E quem mais sente o calor do público e dos holofotes sem ruborizar, pelo contrário, querendo mais aplausos, portanto, fará questão de criar uma outra oportunidade de receber os aplausos dos colegas de escola, faculdade, trabalho: esse é o papa-confete!
Estou aqui no escritório, em minha sala. Daqui ouve-se um barulho de outro lugar da empresa, onde acontece um seminário. Meus ouvidos contemplam à distância um farfalhar de palmas a cada 5 minutos.
E eu me pergunto se cada palma batida não quer dizer: só mais um pouquinho de confete? Ah, claro que pode pegar, é de graça! E, quando eu quiser, sei que você vai me oferecer!
Não é isso o que as palmas significam quando, ao invés de exaltar uma fala exemplar e/ou representativa, ela marca os pontos e as vírgulas de quem está lá na frente, sozinho, falando?

E o cabeleireiro, cujo ganha-pão é paparicar? Todo mundo tem o cabelo lindo, maravilhoso -- se não tiver, senta lá na cadeira e relaxa que ele vai dar um jeito nisso! E o povo que tem hora marcada 3x por semana no salão vai lá para ouvir a conversinha mole, se sentir paparicado. Imagine, se o cabeleireiro não fica o tempo todo dizendo que sua vítima é deslumbrante e seu cabelo divino: esquece, perdeu cliente!

E o garçom, que só te atende direito se você fizer um agrado? Nem que seja chamá-lo por "Oi, companheiro, um chops aqui!", "Ô, Amigão!", "Chefia". No caixa, você pode também compensar um bom atendimento fazendo-se pagar os 10% da taxa de serviço, mas se não quiser, não paga.

Será que isso é (mais uma) coisa de brasileiro? Não, não é. Em alguns lugares você pode se sentir (ou ser, mesmo) obrigado a dar gorjeta a bellboys, garçons e afins. Seria uma versão utilitarista do paparico, a mercantilização do agrado, que faz tão bem ao ego e pode também fazer bem ao bolso.

Coisa de brasileiro é se achar bão quando alguém dá uma puxada de saco. Fulaninho flutua e não percebe mais nada se alguém der uma puxada bem dada, não é? E nem precisa gastar dinheiro com isso, por aqui a coisa é baratinha, baratinha...

2 Comentaram. Faltou você?

  1. Bruno Says:
    Este comentário foi removido por um administrador do blog.
  2. Bruno Says:

    O papa-confete, em geral, não passa de uma pessoa insegura e/ou carente e, mesmo que seja (ou não) competente em suas designações, discursos e ações, a necessidade humana de viver em sociedade exige atitudes que contrariam aquilo que pensamos (como os aplausos para marcar pontos e vírgulas, em retribuição a algo que nem mereceria atenção), seria simplesmente impossível viver em uma sociedade na qual a sinceridade fosse absoluta!
    Mais ainda, cada cultura exige de seus participantes determinadas atitudes, seja ela dar a gorjeta ao bellboy, seja ela aplaudir o discurso medíocre de algum carente desesperado na empresa!
    Viver em sociedade é UMA MERDA, mas viver só seria INSUPORTÁVEL!!!!

Bibibi no Bobobó! | Powered by Blogger | Entries (RSS) | Comments (RSS) | Designed by MB Web Design | XML Coded By Cahayabiru.com Distribuído por Templates